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Parei de usar o hijab?

Parei de usar o hijab? / Simplicity in Vogue - @ByAndreaB / modéstia, moda religiosa, moda islâmica, estilo modesto, hijab, parar de usar o hijab, mulheres muçulmanas, dificuldades do hijab

Oi! Hoje o post é sobre algo bem íntimo sobre mim. Geralmente, eu prefiro escrever sobre assuntos mais leves, como estilo de vida, bem estar, viagem ou moda. Mas, recentemente, eu tomei uma decisão que poderia gerar fofocas ou mal-entedidos entre membros da minha família, amigos, pessoas que conheci através das mídias sociais e leitores do blog. Então, achei melhor escrever esse post como se fosse uma carta onde eu explicaria tudo, antes de compartilhar novas fotos online. Por favor, leiam até o final. 

Vou começar indo direto ao ponto. É verdade que parei de usar o hijab? Se por hijab você quer dizer o lenço que cobre os cabelos, então sim, estou dando um tempo, por enquanto, e não estou usando-o ao sair de casa no meu dia a dia. Mas eu ainda o uso todo dia ao fazer minhas orações ou sempre que eu for à alguma mesquita ou reunião islâmica.

Hijab é muito mais do que um simples lenço na cabeça. Significa se vestir de forma modesta, mas também ter um comportamento modesto e exemplar. É sobre criar um barreira entre você e tudo que não é bom e que pode te levar para longe de Deus. É preciso ter um bom coração e uma boa conduta. Hijab é para homens e mulheres. Então, nesse sentido, eu ainda continuarei a aplicar tais princípios na minha vida, na forma que me visto e me comporto, com a exceção de que não estarei cobrindo meus cabelos em público.

Eu não sou mais reconhecida na rua como uma muçulmana. Ainda me sinto estranha ao sair sem o lenço. Parte de mim está triste, culpada, envergonhada e sinto como se algo da minha identidade estivesse faltando. Eu o usei por 5 anos, então acabou ganhando grande importância na minha vida. Contudo, outra parte de mim  (a parte controlada pela minha ansiedade social) está feliz por eu ter me tornado "invisível" novamente e de poder finalmente sair por aí em paz sem atrair os olhares de todas as pessoas e ter que responder perguntas o tempo todo.

Fora isso, eu continuo sendo 100% muçulmana. Nada mudou na minha fé e sempre que estudo e aprendo algo novo sobre o Islam, me apaixono ainda mais e fico feliz de 5 anos atrás ter tomado a decisão de me tornar muçulmana.

Muitas pessoas pensam que o ato de tirar o hijab é uma forma de se libertar da opresssão ou que você está tendo dificuldades com sua fé. Pode até ser verdade para algumas pessoas, mas não para todo mundo. Primeiro, sim, nós (muçulmanos) vemos o hijab como um mandamento de Deus, mas também tem que ser usado de livre espontânea vontade. E não tem nada haver com opressão, pelo contrário, eu sempre me sinto emponderada usando ele. Segundo, de fato, eu estou tendo dificuldades, mas não com a minha fé, mas com a discriminação opressiva, com minha ansiedade, com as dificuldades de encontrar um emprego usando o hijab, etc.

Parei de usar o hijab? / Simplicity in Vogue - @ByAndreaB / modéstia, moda religiosa, moda islâmica, estilo modesto, hijab, parar de usar o hijab, mulheres muçulmanas, dificuldades do hijab
Foto: Thaakirah Jacobs - Instagram @thaaks.i


Parei de usar o hijab? / Simplicity in Vogue - @ByAndreaB / modéstia, moda religiosa, moda islâmica, estilo modesto, hijab, parar de usar o hijab, mulheres muçulmanas, dificuldades do hijab
Foto: Thaakirah Jacobs - Instagram @thaaks.i

(Tradução da imagem acima - Olhando para cada retrado dessa mulher muçulmana: Qual delas é mais próxima de Deus? Qual delas enfrentou as maiores dificuldades? Qual delas é a mais confiante? Qual delas sente mais dificuldade de usar o hijab? Qual delas é a mais pecadora? Qual delas é a mais pretensiosa? Qual delas é boa para os pais? Qual delas tem o coração mais generoso? Qual delas sofre com ansiedade/depressão? Qual delas é a mais educada/estudada? Qual delas é a mais confiável? Qual delas é uma muçulmana perfeita? Qual?)

Mas agora, explicarei um pouco mais a fundo algumas das razões que me levaram a essa decisão. Eu digo algumas, porque alguns detalhes são muito pessoais e prefiro manter minha privacidade.

Quando me converti ao Islam, eu estava morando em Londres. E eu queria que o hijab fosse a expressão dessa minha escolha e que todo mundo me reconhecesse como muçulmana. Eu sentia um pouco como se eu precisasse provar para todos que que a minha decisão era séria e por isso, escolhi usar o hijab desde o começo. Há uma comunidade bem grande de muçulmanos em Londres e isso fez com que fosse algo bem fácil, para mim, usar o hijab.

Eu sabia que eu teria que retornar ao Brasil, mas eu pensava que ficaria aqui por pouco tempo, até terminar minha faculdade, e depois, poderia voltar ao Reino Unido. Infelizmente, as coisas nem sempre ocorrem da forma como planejamos, e ainda estou aqui depois de 5 anos. E, na época, eu não pensei muito nas consequências de ter que usar o hijab aqui por um longo período de tempo.

O problema é que a comunidade de muçulmanos daqui é extremamente pequena comparada com a de lá, especialmente, onde eu moro. Recife é uma cidade grande e os poucos muçulmanos que moram aqui estão dispersos em diferentes bairros. Se não combinarmos um local para nos encontrar, eu poderia sair de casa todo dia e nunca me encontrar com outra muçulmana aqui. Apenas uma vez, nesses 5 anos, eu me encontrei com outra muçulmana daqui no shopping.

Então, quando eu voltei para o Brasil, eu me senti totalmente sozinha. Eu não conhecia nenhum muçulmano ou muçulmana aqui, mas encontrei algumas pelo Facebook, e finalmente, eu não estava mais tão sozinha. Mas, ainda assim, não era suficiente porque com a distância era difícil criar vínculos e me sentir parte da comunidade. Eu sou tímida e do tipo introvertida, e é muito difícil para mim fazer e manter novas amizades. Eu também andava bem ocupada com a faculdade, onde, por sinal, eu era a única pessoa usando um hijab, e talvez, até mesmo a única muçulmana.

Eu acho que eu fiz parecer fácil pelas minhas fotos sorridentes ou atitude calma, mas na realidade, toda aquela atenção que eu recebia a qualquer lugar que eu ia era bem difícil para mim. Eu me sentia sozinha e solitária, como se eu fosse de outro planeta. Eu não ligava muito quando era apenas curiosidade, mas muitas vezes eu recebia olhares de ódio e/ou piadas sobre terrorismo, entre outras coisas. Nesses momentos, minha ansiedade sempre piorava e cheguei a ter alguns ataques de pânico.

É muito difícil enfrentar tudo isso quando você é a única muçulmana da família, quando você não tem um marido muçulmano para te dar apoio (ou ele não pode estar com você no mesmo país, por problemas que estão além do seu poder), e quando não há outros muçulmanos ao seu redor no seu dia a dia. Apesar dos meus pais não serem muçulmanos, eles me apoiam bastante, mas ainda assim não é a mesma coisa.

Finalmente, quando eu me formei, no final de 2015, eu sabia que eu precisava encontrar um emprego e não tinha mais desculpas para adiar isso. Eu também sabia que seria bem complicado encontrar algo usando o hijab. Então, foi aí que comecei a contemplar, pela primeira vez, a ideia de ter que parar de usá-lo.

Antes de começar minha procura, fui para Londres novamente por alguns meses. E, pela primeira vez nesses 3 anos, eu experimentei sair sem o hijab em algumas ocasiões. Contudo, quando voltei para o Brazil, eu não consegui tomar essa decisão.

Foi algo muito difícil porque o hijab além de ter grande importância para mim, também tem um significado muito especial. Ele é parte da minha identidade, símbolo da minha fé, um modo de lutar pelos nossos direitos e preconceito contra as mulheres muçulmanas e também, muçulmanos no geral. Um lembrete constante para eu prestar atenção ao meu comportamento, pois ao usá-lo, eu estou representando muitas outras mulheres muçulmanas e a minha religião. Um forte lembrete para evitar tudo que não seja benéfico para minha vida.

Um lembrete de Deus. Um lembrete de que embora não havia nenhuma outra muçulmana no meu prédio ou bairro, eu sou uma. E, o uso do hijab, também me ajudou a ficar muito mais atenta e a simpatizar com diversos outros grupos que enfrentam discriminação.

Então, eu tentei me manter forte, porque eu queria lutar pelos nossos direitos e, quem sabe, encontrar um trabalho dentro da minha área, onde eu pudesse continuar usando o hijab. Mas, 2 anos se passaram e nada. Graças a Deus, eu tenho uma vida privilegiada. Meu pai não é rico, mas trabalha duro para nos dar uma vida confortável. Contudo, ele não é mais tão novo e eu não posso continuar sendo um fardo para ele. E é claro que eu quero ter meu próprio negócio um dia, mesmo que pequeno, In sha Allah (Se Deus quiser), mas quero conquistar isso sem depender tanto dos meus pais.

Levando esses pontos e ainda alguns outros em consideração, eu tive que finalmente tomar essa decisão de parar de usar o hijab. Foi bem doloroso, e mesmo agora, enquanto escrevo, ainda estou balançada. Mas, ao mesmo tempo, é um alívio a possibilidade de sair de casa sem chamar tanta atenção. Parte de mim se sente como se eu tivesse falhado, mas também tenho aprendido a praticar o autoperdão, bem como me esforçado para ser o melhor ser humano que eu posso ser numa sociedade nem sempre tão justa. Na verdade, isso é o que todos nós deveríamos fazer.

E, de qualquer forma, o hijab (o lenço/véu) sempre fará parte da minha vida e vocês até poderão ocasionalmente me ver usando-o. Ainda tenho alguns posts para compartilhar aqui, onde eu estou de hijab, porque não tive tempo de compartilhar antes. Mas, eu decidi escrever esse post primeiro porque eu não queria continuar me escondendo. Já tem 2 meses mais ou menos que não estou usando o hijab e, deste então, tenho compartilhado apenas fotos antigas online.

Para meus amigos e seguidores muçulmanos, espero que possam entender minha decisão. E para os que não são muçulmanos, por favor, não façam comentários do tipo: você fica bem melhor ou mais bonita sem o hijab. Eu digo isso porque já escutei algo assim antes e mesmo que tenha sido feito com a melhor das intenções, é um pouco desrespeitoso e insensível. O hijab tem muitos propósitos, um deles é modéstia. Mas modéstia não significa te deixar mais feia. E para ser sincera, sempre me senti bonita de hijab.

Por fim, eu espero que um dia eu esteja num momento da minha vida onde me sentirei segura, forte e confortável o suficiente para usá-lo novamente. In sha Allah

Obrigada a todos que leram esse longo texto até o final. :)

Nos vemos em breve! :)

Andrea

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2 comments

  1. Dea, se sua decisão trouxe uma melhora na sua saúde emocional... Fico feliz por você. Entendo perfeitamente como é a ansiedade e acredito que você irá conseguir driblar isto. Em breve você estará com seu negócio e as aflições do ambiente externo serão cada vez mais colocadas em segundo plano.
    Você é uma pessoa linda, por dentro e por fora... Com ou sem hijab! Deus sabe da sua índole e isso é o importante.
    Bjs da sua xará de Maceió.

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    1. Ohhh, muito obrigada pelas belas palavras e por sempre estar me apoiando xará! Um beijão! :*

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